O Grupo Casas Bahia protocolou o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia no domingo (16), junto ao Foro Central Cível de São Paulo. A medida abrange dez empresas da holding e busca reorganizar obrigações de R$ 17,3 bilhões diante dos juros altos, crédito restrito e retração do consumo que afetaram o varejo nacional.
A solicitação foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. Além da rede varejista, o processo inclui a fabricante de móveis Bartira e braços de logística, tecnologia e e-commerce. A empresa garantiu que suas lojas físicas e os canais digitais continuarão operando sem interrupções durante o processo.
Impactos financeiros e posicionamento oficial
De acordo com comunicado ao mercado, as dívidas englobadas no processo estão distribuídas entre bancos, fornecedores, fundos de investimento, locadores e passivos trabalhistas. O CEO Renato Franklin destacou que os avanços operacionais recentes foram insuficientes para anular a pressão do cenário macroeconômico e a maior aversão ao risco no mercado global.
Propostas alternativas para captação de recursos via equity ou novas linhas de crédito acabaram inviabilizadas. O executivo ressaltou que a medida judicial visa reestruturar o passivo de forma ampla, sem interromper as metas de eficiência da Fase 2 do Plano de Transformação.
Balanço alarmante e incerteza operacional
A decisão antecede a análise do pedido pela Justiça de São Paulo, responsável por suspender temporariamente as cobranças. A companhia reportou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Esse montante representa uma piora expressiva frente ao resultado negativo de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior.
A auditoria Ernst & Young (EY) apontou incerteza relevante sobre a continuidade operacional da empresa. O balanço registrou patrimônio líquido negativo de R$ 8,27 bilhões em 30 de junho, embora a dívida líquida tenha recuado para R$ 1,2 bilhão.
Encerramento de unidades e demissões
Como parte do ajuste, a rede encerrou as atividades de 298 lojas em agosto, reduzindo sua estrutura física para 1.033 pontos de venda. As demissões são estimadas em até 2 mil funcionários, gerando provisões de R$ 502 milhões no balanço trimestral.
Em 2024, a companhia havia homologado uma recuperação extrajudicial focada em R$ 4,1 bilhões em dívidas bancárias. Contudo, o plano anterior não abrangia fornecedores e passivos trabalhistas, tornando inevitável o recurso à recuperação judicial ampla.
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