O Grupo Casas Bahia estuda pedir uma nova recuperação judicial ou extrajudicial para reestruturar suas dívidas no Brasil, após registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. A medida integra a Fase 2 do seu Plano de Transformação, motivada pelo cenário macroeconômico adverso e taxas de juros elevadas.
O balanço financeiro, auditado pela Ernst & Young (EY), aponta que o desempenho do grupo foi afetado pela pressão no consumo das famílias e pela concorrência com apostas on-line. Diante disso, a administração analisa alternativas operacionais, financeiras e societárias adicionais para reorganizar seus passivos.
A diretoria ressaltou que a execução dessas ações depende da negociação com terceiros. Por isso, não há garantias de que os resultados pretendidos serão alcançados nos prazos estimados.
Fechamento de lojas e readequação de pessoal
Como parte da reestruturação, a varejista concluiu o encerramento de 298 unidades físicas, operando agora com 1.033 lojas. Os pontos encerrados foram escolhidos com base no desempenho operacional e no retorno sobre o capital empregado.
Esse processo gerou provisões de R$ 210 milhões para imobilizados e R$ 89 milhões para contratos de arrendamento. No total, as provisões para reestruturação de pessoal e encerramento de unidades somaram R$ 502 milhões no trimestre.
Ao fim do primeiro semestre de 2026, a empresa contabilizava 30.117 funcionários. Entre contratações e desligamentos, o índice de rotatividade de pessoal caiu para 5%, ante 14,1% no mesmo período do ano anterior.
Além disso, o grupo registrou provisão de R$ 1,8 bilhão por revisões em contratos e realizou a baixa de R$ 970 milhões em ágio, refletindo projeções operacionais mais conservadoras.
Alerta da auditoria sobre continuidade
O prejuízo expressivo de R$ 10,1 bilhões foi fortemente impactado por provisões e pela baixa de R$ 5,7 bilhões em créditos tributários. Excluindo eventos não recorrentes, o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões.
A consultoria Ernst & Young (EY) emitiu uma nota destacando incerteza relevante sobre a continuidade operacional da empresa. Em junho de 2026, o passivo circulante consolidado superava o ativo em R$ 7,84 bilhões, deixando o patrimônio líquido negativo em R$ 8,27 bilhões.
Desempenho operacional e dívida
Apesar das perdas contábeis, a dívida líquida do grupo recuou 81% na comparação anual, somando redução de R$ 4 bilhões. A alavancagem financeira caiu para 0,4 vez o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses.
O volume transacionado (GMV) atingiu R$ 10,5 bilhões no trimestre, alta de 0,5%. O comércio eletrônico cresceu 6,2%, enquanto as vendas em lojas físicas recuaram 3,2%. A receita bruta subiu 1,6%, alcançando R$ 8,3 bilhões.
Em nota oficial, a liderança da Casas Bahia ressaltou que a redução do tamanho da operação é consequência de maior disciplina financeira. A varejista busca novos reforços de liquidez e a monetização de ativos para reequilibrar seu caixa.
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