A consultoria global WGSN divulgou o relatório Consumidor do Futuro 2028, revelando que a busca por desaceleração e bem-estar definirá o novo comportamento do mercado. O estudo identifica os Restauradores, um perfil de consumidor do futuro que decide reduzir a quantidade de compras para focar na procedência dos itens, no comércio local e em experiências que valorizem a qualidade de vida.
Para construir essas projeções, a empresa utilizou a metodologia STEPIC, fundamentada no monitoramento de 2.800 fontes globais e no comportamento digital de 30 milhões de pessoas. Com a ferramenta TrendCurve, a consultoria calcula alcançar até 93% de precisão nas suas previsões comportamentais e mercadológicas.
De acordo com Clare Varga, vice-presidente de conteúdo da WGSN, os critérios tradicionais de segmentação perdem força. A executiva ressalta que a identidade dos clientes não será balizada apenas por idade, renda ou localização geográfica, tornando a compreensão dos sentimentos tão decisiva quanto o orçamento das famílias.
Indicadores emocionais impulsionam mudança no consumo
O relatório baseia-se em um índice de trajetória emocional aplicado em mais de 150 países, unindo dados do World Happiness Report, Edelman Trust Barometer e Gallup. O indicador revela que estresse, medo e raiva acumulam alta contínua desde 2015, enquanto a esperança surge como a única emoção em expansão constante no período.
O impacto emocional é evidente na Geração Z nos Estados Unidos, onde 40% afirmam viver em estado permanente de estresse, segundo dados da McKinsey. Paralelamente, no Reino Unido, o World Wellbeing Movement calcula que 7 milhões de adultos estão abaixo da linha da pobreza de felicidade, ambiente que impulsiona o surgimento dos Restauradores.
As prioridades do público Restaurador
Diante desse cenário, o grupo dos Restauradores busca marcas que respeitem seus limites de tempo e atenção. As escolhas desse público concentram-se na durabilidade, procedência e capacidade de reparo dos produtos, preferindo tecnologias voltadas à calma e à saúde mental.
A WGSN orienta que as empresas destaquem imperfeições de fabricação como símbolo de autenticidade. Na indústria da moda, Sara Maggioni, da WGSN Fashion, defende que as peças devem restaurar a energia do indivíduo, resultando em guarda-roupas mais enxutos, duráveis e funcionais.
Fortalecimento das marcas regionais e desaceleração digital
O interesse por soluções locais ganha tração na América Latina, onde 75% dos consumidores optam por marcas regionais quando preço e qualidade se equiparam às opções estrangeiras, segundo a Bain & Company. Além disso, o Edelman Trust Barometer de 2025 confirma que a confiança em empresas nacionais superou as globais em 15 pontos.
Em relação à tecnologia, a busca por desconexão é visível no Reino Unido: 47% dos jovens de 16 a 21 anos preferiam ter crescido sem internet, apontou a BSI com 1.293 entrevistados. A diretora Lisa Yong destaca que o conceito de slow tech precisa avançar para interfaces simplificadas e ferramentas que estimulem o uso consciente das telas.

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