Quase metade das pequenas e médias empresas, representando 48% do total, ainda não iniciou estudos estruturados sobre a Reforma Tributária. A revelação é do Radar Setorial da Reforma Tributária, um estudo recente lançado pela Omie, desenvolvedora de sistemas de gestão para o setor.
Além disso, o levantamento aponta que 63% dos escritórios contábeis também falharam em mapear os efeitos dessa grande mudança fiscal nas respectivas carteiras de clientes.
O estudo analisa a necessidade urgente de adaptação econômica utilizando fluxos financeiros reais. Isso corresponde a cerca de 4% do PIB nacional, abrangendo aproximadamente 750 CNAEs organizados em 76 divisões setoriais distintas.
Em setembro de 2026, as micro e pequenas empresas do Simples Nacional enfrentarão uma escolha crucial. Elas precisarão decidir entre manter o recolhimento unificado ou migrar para o complexo regime híbrido.
Essa decisão estratégica impactará diretamente negócios B2B a partir de 2027, quando a CBS entra em vigor. No modelo híbrido, as empresas passam a operar gerando créditos para clientes e aproveitando insumos.
Visão dos especialistas
“O Radar traduz o comportamento financeiro real em um indicador de exposição. Isso oferece a contadores e empresários um ponto de partida concreto”, afirma Felipe Beraldi, economista da Omie.
O indicador de exposição varia de 0 a 100 e utiliza machine learning. Ele avalia fluxos financeiros, sensibilidade da carga tributária e a complexidade operacional da adaptação.
A análise identificou 26 segmentos em situação de maior exposição. Eles possuem alta inserção em cadeias B2B e baixa capacidade de neutralizar a nova tributação por créditos.
Esses 26 setores respondem por 14% do PIB brasileiro e 10 milhões de empregos formais. Neles, cerca de 58% das 2 milhões de empresas ativas optam atualmente pelo Simples Nacional.
O grupo mais vulnerável inclui serviços de construção, transportes terrestres, tecnologia da informação, manutenção de máquinas e serviços financeiros auxiliares.
“O Radar antecipa prioridades para garantir a sustentabilidade das PMEs”, reforça Beraldi sobre a urgência de debates antes do prazo de setembro.

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