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Sexta-feira, 31 de Julho 2026
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Slow fashion no varejo ganha força como alternativa sustentável contra estoques parados

Com foco em coleções reduzidas e moda circular, marcas brasileiras reestruturam a produção para cortar prejuízos bilionários e conter o descarte têxtil.

Slow fashion no varejo ganha força como alternativa sustentável contra estoques parados
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O movimento do slow fashion no varejo consolida-se no Brasil como uma resposta estratégica à crise de encalhe de peças no setor de vestuário, que estima faturar R$ 63,34 bilhões na temporada de outono e inverno de 2026. Ao reduzir coleções e focar na fabricação sob demanda, empresas tentam mitigar o impacto de estoques parados, que geram bilhões em prejuízos globais.

Dados da consultoria McKinsey revelam que cerca de 20% do vestuário fabricado no mundo jamais chega ao consumidor final, acumulando US$ 140 bilhões em mercadorias paradas. Diante desse cenário, redes varejistas passam a testar lotes menores e ciclos estendidos de comercialização.

Mudança de paradigma entre slow e fast fashion

Enquanto o modelo tradicional de fast fashion se apoia na produção em massa, trocas constantes de coleções e preços baixos, a moda lenta trilha o caminho oposto. O foco recai na durabilidade das peças, na qualidade da matéria-prima e na produção em escala reduzida.

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Criado em 2007 pela pesquisadora britânica Kate Fletcher, o conceito ganha espaço no mercado nacional por meio da fabricação autoral e parcerias com brechós. A transição atende a uma urgência ambiental, já que o Brasil descarta cerca de 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis por ano, segundo a Abrelpe.

Projeções do mercado de moda circular no Brasil

Pesquisas do Boston Consulting Group (BCG) apontam que o mercado circular no país deve crescer entre 15% e 20% ao ano até 2030. Esse ecossistema abrange desde plataformas de revenda até modelos de produção sob demanda.

IndicadorValorFonte
Brechós ativos no Brasil (2023)118 mil (+30,97% em 5 anos)Sebrae
Crescimento anual da moda circular até 203015% a 20% ao anoBCG
Roupas produzidas que não são vendidas20% (US$ 140 bilhões)McKinsey
Resíduos têxteis descartados no Brasil/anoCerca de 4 milhões de toneladasAbrelpe
Participação de segunda mão no Brasil12% em 2024 (projeção de 20% em 2025)Enjoei
Mercado global de segunda mão até 2028US$ 350 bilhõesthredUp / GlobalData

De acordo com o Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP, o comércio de seminovos deve superar o fast fashion até 2030. Dados do Enjoei indicam que 56% dos brasileiros já realizaram ao menos uma transação de compra ou venda de itens usados.

Otimização de estoques e eficiência operacional

O varejo tradicional opera com margens de sobra entre 20% e 40%. Em 2024, o tempo médio para liquidar estoques atingiu 168 dias, um recorde que pressiona o fluxo de caixa das empresas.

Marcas que adotam lotes reduzidos mantêm o índice de itens não vendidos abaixo de 10%. Segundo Edmundo Lima, diretor executivo da Abvtex, a cautela na formação de estoques também responde às variações climáticas observadas no país.

Aplicação prática e desafios da logística reversa

Varejistas podem aplicar o modelo reduzindo o número de lançamentos anuais e apostando na fabricação sob demanda. Iniciativas como o Dafiti Circula e a parceria entre Vestcasa e Já Vendeu exemplificam a expansão dessa estratégia no país.

Apesar do avanço, a etapa pós-consumo ainda enfrenta gargalos operacionais. Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit, ressalta que coleta, triagem e logística reversa exigem inovação e investimentos para transformar resíduos em valor produtivo na cadeia têxtil.

Perguntas frequentes

O que é slow fashion?

É o modelo de produção focado em durabilidade, qualidade e baixo impacto ambiental. Diferente do ritmo acelerado das grandes redes, busca diminuir o descarte têxtil e promover coleções menores ou sob demanda.

Como o varejo se beneficia do modelo?

Ao produzir em menor escala, as marcas reduzem o encalhe de mercadorias e evitam grandes liquidações, melhorando a margem de lucro por peça e diminuindo custos com armazenamento.

Moda circular e brechós fazem parte do movimento?

Sim. A reutilização de peças por meio de brechós e plataformas de revenda integra o conceito de moda circular, ampliando o tempo de vida útil dos produtos e reduzindo a extração de novas matérias-primas.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Varejo

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