Um relatório conjunto da WGSN e da Blip revela que o mercado de agentes de IA deve registrar uma taxa de crescimento anual de 49,6% até 2033. A pesquisa analisa a transição para o modelo B2AI2C (Business to AI to Consumer), no qual a inteligência artificial assume o papel de intermediária direta nas interações comerciais e de atendimento.
Com dados da Grand View Research, o levantamento projeta essa expansão global entre 2026 e 2033. Além disso, 67% dos profissionais consultados preveem que, nos próximos cinco anos, os clientes conversarão com maior frequência com sistemas autônomos do que com atendentes humanos.
O estudo divide essa mudança em quatro pilares estratégicos: a migração do clique para a conversa, do comando para a delegação, da personalização para a intimidade contextual e da simples adoção para o impacto financeiro real.
Cenário e comportamento dos agentes de IA na América Latina
A adoção da IA conversacional varia conforme a região geográfica. Na América do Norte, os assistentes de voz dominam, enquanto a Europa foca na privacidade dos dados. Já na América Latina, os aplicativos de mensageria tornaram-se o canal principal de consumo digital.
Na região latino-americana, o segmento de IA agêntica projeta alta anual de 38,8%, puxado por setores como comércio eletrônico e fintechs. As jornadas dos usuários deixam a navegação tradicional por menus e focam na execução imediata de intenções complexas.
A evolução para o modelo B2AI2C introduz interações diretas entre sistemas (Agent-to-Agent ou A2A). Nessa dinâmica, assistentes virtuais pessoais negociam, pesquisam preços e concluem compras interagindo diretamente com os sistemas corporativos das empresas, exigindo padrões rigorosos de segurança e APIs estruturadas.
Economia da intimidade e desafios de governança
Além da automação, a relação entre consumidores e marcas adentra a chamada "economia da intimidade". Projeções indicam que o setor global de AI companions pode atingir US$ 318 bilhões até 2033. Dados do Capgemini Research Institute apontam que 52% dos usuários já percebem maior empatia em chatbots atuais.
Apesar do avanço técnico, converter experimentação em rentabilidade continua sendo um gargalo. Estudos do MIT e da Deloitte mostram que 90% das empresas testam ferramentas de IA, mas apenas 5% alcançam retornos financeiros expressivos. Paralelamente, a governança segue crítica: só 25% das corporações mantêm diretrizes consolidadas para o uso responsável da tecnologia.
Diretrizes estratégicas e visão de mercado
Para se adaptarem, as organizações precisam preparar conteúdos legíveis por máquinas, garantir a preservação de contexto e focar em resultados práticos. "A inteligência artificial passa a ter um papel ainda mais ativo na relação entre marcas e consumidores", explica Mariana Hatsumura, VP de Marketing da Blip.
Nathalia Bassetti, VP da WGSN Latin America, reforça que a principal mudança está na arquitetura da relação comercial: "Além de conversar com consumidores, as empresas precisarão estar preparadas para interagir com as inteligências artificiais que passarão a representá-los".
Leia também:
- Experiência do cliente entra no centro da nova fase da inteligência artificial
- IA nas franquias: o que a tecnologia ainda não substitui na expansão das redes
- Líderes usam IA todos os dias, mas só 2% das empresas têm processos maduros

Portal Varejo
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se