A rentabilidade no varejo brasileira tornou-se o foco principal dos empresários no cenário de 2026, superando a busca isolada por alto faturamento. Conforme dados levantados pela CNDL, SPC Brasil e Sebrae, cerca de 44% dos varejistas apontam a taxa de juros elevada como o obstáculo mais crítico para a manutenção dos negócios no país.
Além dos juros expressivos, as dificuldades apontadas pelos comerciantes incluem entraves burocráticos para abertura e fechamento de empresas, citados por 34% dos entrevistados, e a pesada carga tributária, com 32% das menções.
Mesmo com reduções promovidas pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que fixou a taxa Selic em 14% ao ano em agosto de 2026, a política monetária permanece em patamar restritivo. Paralelamente, a inflação acumulada pelo IPCA atingiu 4,44% em 12 meses até julho, mantendo-se acima do centro da meta oficial.
Diante desse quadro financeiro, grandes redes de capital aberto e entidades setoriais passaram a adotar o controle rigoroso da margem de lucro como a métrica essencial para a sustentabilidade do setor.
Entenda o conceito de rentabilidade comercial
A rentabilidade mede a capacidade real de um comércio gerar lucro líquido a partir de suas vendas, após abater custos operacionais, tributos e encargos financeiros. Indicadores como margem bruta, margem líquida e margem EBITDA ajudam a mensurar a eficiência da operação.
O aumento isolado do faturamento não garante a saúde financeira de uma empresa. É frequente que companhias expandam sua receita bruta mas sofram redução de margem devido ao crescimento acelerado dos custos de aquisição de clientes ou das despesas financeiras.
Indicadores do setor no primeiro trimestre de 2026
Balanços trimestrais evidenciam desempenhos positivos em redes consolidadas. A Lojas Renner registrou margem bruta consolidada de 63,2%, um avanço de 1,15 ponto percentual. No mesmo período, a Riachuelo obteve margem de 61,2%, alcançando receita de R$ 2,32 bilhões.
O segmento de franquias também demonstrou expansão. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor faturou R$ 72,7 bilhões nos três primeiros meses do ano, uma alta de 10,1% frente ao mesmo período do ano anterior.
Analistas do setor alimentar reforçam que a expansão sustentável exige rígido controle de despesas administrativas e ganhos de eficiência na cadeia de suprimentos para enfrentar o crédito encarecido.
Estratégias operacionais para proteger a margem
Para mitigar a pressão do crédito caro, especialistas recomendam atenção à gestão de estoque, evitando imobilização desnecessária de capital de giro. A precificação fundamentada na margem de contribuição e o investimento estratégico em marcas próprias surgem como importantes alavancas.
Além disso, a integração entre canais físicos e digitais (omnicanalidade) auxilia na distribuição de estoques concentrados, evitando a necessidade de aplicar grandes descontos para escoar produtos.
Microfranquias e pequenos negócios
Em negócios de menor porte, a busca pela manutenção dos ganhos segue como fator decisivo. Em modelos autônomos, como a rede Peggô Market, a rentabilidade média situa-se entre 18% e 25%, apresentando retorno sobre investimento estimado em até 12 meses.
Pesquisas do setor apontam que a rentabilidade após o período de retorno do investimento é o atributo de maior impacto na satisfação geral dos franqueados brasileiros.
Perguntas frequentes sobre o tema
O que define a rentabilidade no setor? Trata-se do percentual de ganho real gerado sobre as vendas após a quitação de todas as despesas operacionais e custos financeiros.
Qual é a margem de lucro considerada ideal? Os índices variam conforme o segmento, oscilando em média entre 2% e 5% no varejo alimentar e de 3% a 8% no comércio eletrônico.
Por que os juros altos afetam as margens? A Selic elevada encarece o financiamento de estoque, a captação de capital de giro e o prazo concedido nas compras dos consumidores.

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