A maturidade digital do varejo brasileiro registrou um índice avançado em apenas 36,7% das empresas analisadas, posicionando o país abaixo da média da América Latina (43,3%), segundo o estudo Benchmark de Comércio Unificado 2026 da Manhattan Associates. Embora o setor se destaque na logística e no pós-compra, gargalos na etapa de checkout ainda impedem uma evolução mais fluida na jornada do consumidor.
Embora represente metade das companhias pesquisadas na região, o mercado nacional enfrenta dificuldades para transformar a eficiência operacional em uma experiência de compra integrada. A principal barreira observada não reside mais nas entregas, mas sim nas etapas de pagamento e finalização do pedido.
De acordo com o levantamento, recursos básicos como salvar preferências de pagamento, manter o carrinho sincronizado entre aplicativo e site ou iniciar a transação em um canal e concluir em outro ainda apresentam atritos frequentes para o cliente final.
Segundo Danielle Willig, gerente de Desenvolvimento de Mercado para a América Latina da Manhattan Associates, o foco das empresas mudou. Ela destaca que a competitividade atual depende da capacidade de criar jornadas sem atritos e totalmente conectadas.
Heterogeneidade e desafios no setor
O estudo aponta um cenário pulverizado no país. Enquanto uma parcela reduzida opera em patamares elevados, 36,7% das companhias encontram-se em estágio intermediário, proporção superior aos 30% registrados na média regional.
No entanto, a liderança digital permanece restrita: apenas 3,3% das varejistas brasileiras atingem o nível mais alto de maturidade, frente a 11,7% na América Latina. Essa discrepância reforça que o entrave local consiste em disseminar os avanços tecnológicos de forma consistente por todo o mercado.
A eficiência logística é o ponto forte do estudo regional, com 53,3% das empresas em estágios avançados na entrega e no atendimento. Por outro lado, apenas 33,3% alcançam o mesmo nível no checkout, revelando uma nítida assimetria operacional.
Oportunidades de crescimento no e-commerce
Willig ressalta que o varejo brasileiro já provou sua capacidade de rápida adaptação quando pressionado por demandas claras. Segundo a executiva, a oportunidade do momento reside em simplificar a jornada do usuário e otimizar o uso de dados para elevar as taxas de conversão.
Recursos como vendas por redes sociais, alertas de reposição de estoque e mensagens para recuperação de carrinho ainda são explorados por menos de 5% das empresas latino-americanas, representando um grande potencial de expansão.
Por fim, a executiva enfatiza que a integração de canais, o estoque unificado e a personalização de ofertas serão divisores de águas decisivos para garantir a relevância e a competitividade das marcas nos próximos anos.

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