Com o aquecimento da economia interna, principalmente ao longo de 2010, o mercado brasileiro ganhou destaque frente aos grandes investidores do mundo. Investidores e gestores de fundos de participações, os chamados private equity e venture capital, direcionaram grandes esforços em busca de oportunidades no mercado nacional. Com o boom do consumo interno, a melhoria da renda e aumento da classe C, aproveitar o bom momento do mercado doméstico tornou-se a “bola da vez”.
A maioria dos fundos de private equity focavam inicialmente em volumes altos de investimento, alguns na faixa de US$ 50 milhões. Geralmente também, se procurava empresas com boa governança e alto potencial de crescimento. No entanto, com tantos olhos voltados para as companhias com essas características, as opções de bons ativos tornaram-se raras e, consequentemente, caras.
A melhoria da economia também participou do aumento do preço das transações, assim como a melhoria das perspectivas de crescimento.
Neste contexto, os fundos de private equity e os grandes investidores deparam-se hoje com dois grandes dilemas. O primeiro é a questão da existência de poucos ativos interessantes e disponíveis na faixa de investimento mais alta. Quando encontrados, o investidor depara-se com o segundo problema: o alto custo, devido a crescente competição para os bons negócios.
Acredito que existem excelentes opções em empresas com tamanho menor de investimento, onde o déficit de gestão e de governança é grande, mas que não deixam a desejar em termo de potencial de crescimento.
E ainda existem algumas classes de ativos mal atendidos no Brasil. É o caso dos fundos focando em distressed assets, nos quais o objetivo é investir em empresas altamente endividadas, mas que possuem possibilidade de retorno e recuperação. Existem muitos fundos especializados nesse tipo de negócios lá fora.
No Brasil, esta modalidade está chegando timidamente, e está se deparando com um problema adicional: a ausência de estrutura de gestão forte na maioria destas companhias, em que muitas vezes iniciar um processo de profissionalização se assimila a reestruturação.
Desenvolver e executar uma reestruturação em uma companhia que enfrenta um período de mudança drástica requer metodologia e profissionais capacitados. Assim, para atenderem às próprias necessidades e conseguirem identificar boas oportunidades de negócio dentro do mercado brasileiro, os grandes investidores e fundos de private equity terão, necessariamente, de passar por parcerias com especialistas em gestão de crise.
Cada vez mais se evidencia a complementaridade entre recursos financeiros e qualidade da gestão.
Somente com a injeção de recursos, dificilmente o fundo conseguirá a rentabilidade e retorno planejado nesse tipo de empresas. As notícias sobre fundos que não têm alcançado o retorno desejado foram frequentes desde o início da crise. E a recíproca é verdade: mudança de gestão sem aporte de recursos não é tão eficiente em muitos casos, pois a reestruturação pode demorar mais para surtir efeitos. O aporte de recursos acelera o processo. Ou seja, investimentos e gestão são temas que precisarão, cada vez mais, caminhar juntos para consolidar a lucratividade e eficiência de um mercado de participação em empresas cada vez maior.
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