De um lado a inflação e a contenção de gastos gerada pelo aumento da inadimplência e do receio da crise internacional, de outro a queda do IPI e as expectativas positivas que norteiam o PIB brasileiro. O desempenho oscilante do varejo apresentou crescimento em vendas em relação ao ano passado, mas não deixou de decepcionar o setor. Para Adir Ribeiro, presidente da Praxis Education, os varejistas encontrarão grandes desafios para 2012, entre eles o de criar experiências de compra para fidelizar clientes. Mesmo, assim, o empresário acredita que o varejo deve superar o crescimento do PIB esse ano.
PV - Segundo o Instituto para Desenvolvimento do Varejo, em dezembro o varejo apontou alta de 5,5% nas vendas em relação ao ano passado. Como podemos analisar a performance do varejo nesse ano?
Adir Ribeiro - A performance do varejo, de certa forma foi ainda positiva, com números superiores ao crescimento da economia (PIB nacional). Alguns setores se mantiveram bastante movimentados e o nível de ocupação da população tem sido preponderante para a manutenção do consumo. Apesar de já percebermos um certo nível de endividamento dos consumidores, tendo tido reflexo nos meses de setembro e outubro e um pouco em novembro desse ano de 2011.
PV - Após as compras de Natal, o varejo deve sofrer um decréscimo em volume de vendas. Qual a expectativa para o começo do ano?
Adir Ribeiro - Sim, é costumeira essa redução do volume de vendas e certo re-arranjo das contas familiares (excesso de gastos natalinos e festas, contas normais do primeiro mês do ano, matrícula e material escolares, entre outras coisas).
PV - Especialistas afirmam que o varejo deve ter balanço positivo caso o governo consiga controlar a inflação. Qual a expectativa do varejo em 2012?
Adir Ribeiro - Haverá uma pressão dos custos decorrentes do efeito cascata do aumento do salário mínimo de 14% para janeiro, entre outras coisas. Sendo assim as margens devem diminuir, pois os custos aumentarão. O foco deve ser não somente na venda, mas na manutenção da lucratividade do negócio.
PV - Além da inflação, quais são os outros entraves para o sucesso do setor varejista?
Adir Ribeiro - Citados acima, além do problema tributário que é recorrente e a ausência contínua de mão de obra (e também da não preparação pelos próprios varejistas).
PV - Por outro lado, alguns fatores como a redução do IPI e o possível crescimento do PIB podem favorecer o varejo. Quais outros fatores devem beneficiar o setor?
Adir Ribeiro - O governo deverá fazer a sua parte nesse processo de retomada e tem demonstrado, ainda que timidamente, algumas ações nesse sentido e deverá haver uma pressão das entidades empresariais para a manutenção ou a nova ação desse tipo de incentivo.
PV - Qual a expectativa para o acumulado de vendas no ano de 2012?
Adir Ribeiro - Eu acredito ainda num crescimento do varejo em torno de 5 a 7%, o que é superior ao crescimento do PIB nacional, em torno de 3 a 3,5%.
PV - O e-commerce, e a sua expansão, contribuem ou dificultam o crescimento do varejo?
Adir Ribeiro - Hoje o consumidor já tem comportamento multicanal, ou seja, o desafio se torna integrar as operações de varejo loja física com a internet, pois o comportamento ponderado desse consumidor, super bem informado, vai ditar as regras e estratégias de canais de vendas das empresas, tendo impacto forte no varejo (que é o ponto mais sensível e de proporcionar uma experiência de consumo agradável).
PV - O comportamento do consumidor deve sofrer mudanças no ano que vem?
Adir Ribeiro - Cada vez mais antenado e informado, com acesso a tecnologia de ponta e querendo cada vez mais se sentir importante, a experiência de consumo deverá ser preponderante para a fidelização desse consumidor, que tem diversas opções. No passado não havia muita opção de compra, hoje ao contrário, não há compra sem opção. Com isso, o consumidor exigirá mais dos varejistas no encantamento dos clientes, na satisfação de suas necessidades e nas ofertas adequadas para cada tipo de consumidor.
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